A 99 atingiu o feito de ser a primeira startup brasileira avaliada em mais de US$ 1 bilhão. Quem serão as próximas?

Oi,  ,

Tudo bom?

Começo de ano é aquele momento ideal para tirar um tempo para refletir sobre onde queremos chegar. E fico muito feliz que já começamos 2018 com uma notícia daquelas que motiva qualquer empreendedor a investir forte em sua ideia: a aquisição da 99 pela chinesa Didi, criando oficialmente o primeiro unicórnio brasileiro.

Este é um dos temas da primeira Growthaholics deste ano. Vamos lá?

# Habemus Unicórnio

Demorou, mas chegou o momento de comemorarmos o primeiro unicórnio brasileiro! Como você já sabe, a 99 teve seu controle adquirido pela Didi Chuxing e foi avaliada em US$ 1 bilhão.

Se você não é sócio ou investidor da 99 talvez esteja se perguntando o que tem a ver com isso. E eu te respondo: um exit desse tamanho significa que o ecossistema brasileiro chegou a um novo patamar, o que é bom para todo mundo que está envolvido de alguma forma nesse universo.

O melhor de tudo é que a 99 não deve ser a única startup brasileira a ultrapassar o valuation de US$ 1 bilhão ao longo deste ano. O próximo da lista é o PagSeguro, que está prestes a abrir o capital na NYSE.

E como nossas startups estão cada vez melhores e mais maduras, acredito que devemos ter algumas outras boas notícias até o final de 2018. Tenho minhas apostas de quem deve se destacar. E você?

# Na estante

Mais um caso de exit bem sucedido no Brasil: a Livraria Cultura comprou o Estante Virtual, aquele marketplace de livros usados.

O negócio foi fechado na discreta semana entre o Natal e o Ano Novo e o valor da negociação não foi revelado. Mas o mais importante é o que está por trás do acordo: a Cultura tem procurado se armar de diversas formas para enfrentar a concorrência da Amazon.

Recentemente, a empresa já havia adquirido a operação brasileira da Fnac, como forma de reforçar sua atuação em eletrônicos. Agora, com o Estante Virtual, a empresa finca mais um pé na internet, com o maior marketplace do setor - justamente a estratégia que fez a Amazon dominar o mercado nos Estados Unidos.

# Música na Bolsa

O Spotfy entrou com um pedido para listar suas ações na Bolsa de Nova York. O pedido tinha sido registrado em segredo, mas como sempre acontece nesses casos, a informação acabou vazando.

Diferentemente do que costuma acontecer, o Spotify não vai fazer um IPO para que seus papeis passem a ser negociados. Ao invés disso, a empresa simplesmente dará direito a seus investidores venderem ações diretamente na Bolsa. É um movimento interessante, que traz uma oportunidade de liquidez aos atuais acionistas, sem a necessidade de diluir participação.

A ideia já vinha sendo discutida há algum tempo, mas como nenhuma grande empresa já fez esse tipo de oferta o assunto gerou bastante discussão internamente. A expectativa é que se der certo outros gigantes da tecnologia adotem o modelo - Uber e Airbnb são fortes candidatos.

A grande vantagem é que a empresa consegue abrir o capital sem ter que diluir a participação dos atuais acionistas. O problema é que, assim, a empresa vai para a Bolsa sem levantar nenhum dinheiro para seu caixa (o que pode ser um problma para o Spotify, já que apesar de contar com as receitas de mais de 60 milhões de assinantes, a empresa ainda não dá lucro).

# Escritórios na Bolsa

Quem também tem tudo para abrir capital na Bolsa este ano é a WeWork. Por mais controverso que seja o valuation da empresa (que ultrapassou os US$ 20 bilhões este ano), o fato é que ela tem crescido a um ritmo para lá de acelerado - e vem fazendo uma porção de aquisições para continuar assim.

O CEO da empresa, Adam Neumann, já confirmou que tem planos de fazer um IPO, mas nunca deu muitas pistas de quando isso vai acontecer.

Com o dinheiro da oferta, além de fortalecer sua política de aquisições, a WeWork poderia entrar mais forte no mercado asiático - onde enfrenta uma concorrência com competidores chineses, como a URWork.

# Curtinhas

  • Censo dos unicórnios Se para o ecossistema brasileiro o surgimento de unicórnio é novidade, para os chineses já é rotina (4 das 10 maiores startups do mundo falam mandarim). Tanto que esse ano rolou até uma espécie de Censo entre eles. O levantamento traz alguns insights interessantes.
  • Novos mercados Explorar um mercado com cultura bastante diferente é sempre um desafio. E a experiência da Amazon na Índia é um bom exemplo disso - por lá, ao invés de batalhar para dominar o mercado de livros e eletrônicos primeiro, o desafio é entrar para o dia a dia dos consumidores com a venda de bens de consumo.

  • A vez das gigantes Depois de uma era em que a inovação foi dominada pelas startups, agora será a vez das grandes empresas puxarem o bonde. Pelo menos essa é a visão de Ginni Rometty, a CEO da IBM. A tese é interessante, mas acho que, na verdade, a inovação sempre vai ser dominada por quem souber ler o mercado e estiver disposto a errar mais rápido - e isso pode ser feito por empresas de qualquer tamanho.
  • Disputa de assistentes A disputa pelo domínio do mercado de assistentes pessoais deve gerar uma boa movimentação ao longo deste ano. A Fast Company levantou oito tendências que podem determinar quem vai levar a melhor.
  • Promessa de ano novo Todo ano o Mark Zuckerberg se cria algum desafio pessoal (já teve aprender mandarim, conhecer os 50 estados americanos e por ai vai). O desse ano é corrigir os grandes erros apresentados pela empresa esse ano - como não dar conta de impedir o crescimento das fakenews, por exemplo. Vai dar trabalho.

Por hoje é só. Mas quero que você me escreva contando o que podemos melhorar na Growthaholics para 2018. Conto com você.

Um abraço,
Pedro Waengertner
CEO - ACE
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